Resumo
Neste artigo, analisaremos e discutiremos o pensamento do filósofo Frantz Fanon na obra Pele Negra, Máscaras Brancas. Trata-se, mais especificamente, de evidenciar a relação que o autor estabelece entre a construção social pós-colonial da imagem objetificada do sujeito negro e sua existência encarnada nessa realidade. Abordaremos o problema da experiência corporal da pessoa negra a partir do conceito fanoniano de “sociogenia”. O conceito refere-se à articulação entre os enquadramentos históricos e sociais no que diz respeito à opressão racista na constituição da subjetividade negra na modernidade. Para Fanon, a violência racista moderna consiste em imprimir, em todas as instâncias sociais, imagens fantasmagóricas da população negra. Isso exige tratar da constituição dessas abstrações que “fixam” o corpo negro na ideia irracional de coisa, de modo que sua realidade corporal é impedida de humanizar-se. Este trabalho configura uma investigação conceitual. Propomos um nível de análise baseado na descrição da experiência corporal da pessoa negra, enfatizando a forma como Fanon aborda o impacto do mundo pós-colonial na constituição da subjetividade do sujeito negro. Essa delimitação nos permitirá tratar de temas cruciais para o avanço das discussões críticas sobre o racismo nas ciências contemporâneas, especialmente no campo da psicologia e da filosofia, tais como as manifestações sociais e singulares do racismo na constituição do sujeito.
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