Resumo
Este artigo examina alguns momentos específicos da obra inicial de Herbert Marcuse com base na identificação de uma constante teórica que, segundo nossa interpretação, estrutura de maneira subjacente seu projeto filosófico mais amplo: a caracterização da crise da existência humana nas sociedades capitalistas. Em primeiro lugar, analisamos o artigo Sobre a filosofia concreta (1929), no qual Marcuse reformula a própria natureza da filosofia em termos de uma filosofia concreta e, com isso, incorpora uma análise da alienação e da coisificação do Dasein contemporâneo. Em seguida, abordamos a leitura que o jovem filósofo realiza dos Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, nos quais encontra uma fundamentação filosófica para essa crise, interpretada e formulada em termos ontológicos. Marcuse desenvolve essa reflexão a partir do conceito marxiano de trabalho e de seu contraste com a forma factual e concreta que ele assume nas sociedades capitalistas: o trabalho alienado. Sustentamos que esses dois momentos são fundamentais para compreender o modo como o jovem Marcuse concebe e articula a crise da existência contemporânea. Propomos, ainda, que algumas das ideias elaboradas em suas reflexões sobre a existência durante esse período podem ser compreendidas como antecipações relevantes de concepções posteriormente desenvolvidas em suas obras de maturidade.
Referências
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Romero Cuevas, José Manuel. 2016. “La KEHRE (o viraje) en la trayectoria filosófica de H. Marcuse”. En Sobre Marx y Heidegger, escritos filosóficos (1932-1933). Madrid: Biblioteca Nueva.

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