Convocatória 13

Convocatória

Revista nuestrAmérica

Volume 7, número 13 (janeiro-junho 2019)

 

 

Dossiê

Direitas no novo fin-de-siècle: América na segunda metade do século XX e abertura do século XXI

 

 

Editores temáticos

Renato Alencar Dotta

Felipe Azevedo Cazetta

Maria Aparecida de Aquino

 

 

 

 

Apresentação

O campo político é terreno acidentado e movediço para aqueles que não tem bons instrumentos de localização. Embora divididos de maneira genérica entre direita e esquerda, tais categorias comportam variadas concepções, projetos e ações políticas. Assim, Norberto Bobbio as apresenta como qualidades excludentes e exaustivas. “São excludentes no sentido que nenhuma doutrina ou nenhum movimento pode simultaneamente ser de direita e de esquerda. E são exaustivos, no sentido de que, ao menos na acepção mais forte da dupla, (...), uma doutrina ou movimento podem ser apenas ou de direita ou de esquerda. ” (Bobbio, 1995, 31)

Por outro lado, esses dois grupos se subdividem, demonstrando que são territórios fragmentados. Assim, no campo da direita, é perceptível os campos democrático-liberal (a direita institucionalizada de modo geral), autoritário-liberal (conforme foi o caso da ditadura de Pinochet), conservador (a dicotomia Democratas-Republicanos nos EUA), autoritário-centralizador (tal como se buscou nas ditaduras de Vargas no Brasil e de Peron na Argentina), entre outras variações.

É importante fazer referência, no entanto, à perda de significado desta classificação dicotômica na prática de vários partidos políticos na região. Por exemplo, no México, as alianças maniqueístas e conjunturais entre esquerda e direita estão se tornando mais comuns. Por exemplo, no caso da eleição presidencial que recentemente marcou a primeira vitória de um partido de esquerda na história do país, o PAN (partido de direita) e o PRD (partido de esquerda) se aliaram. Aliança que, no entanto, tem sido vista há anos nas eleições estaduais e municipais mexicanas. Caso que se repete no Brasil e em outros países da região que optam por modelos de coalizão política.

Se concentrarmos o foco apenas no contexto latino-americano nas primeiras décadas do século XXI, poderíamos refletir sobre a ascensão dos novos governos de direita, dentro dessa multiplicidade de sentidos, como uma resposta aos governos "esquerdistas progressistas" e / ou ao resultado de políticas de abertura à diversidade que intensificaram sentimentos nacionalistas e grupos conservadores. Os exemplo são inúmeros: a Colômbia que, até os acordos de paz assinados pelo então presidente Juan Manuel Santos com as FARC, justificava a manutenção de uma guerra continua e de um Estado militarizado pela luta contra o “narcotráfico”, recebendo ajuda logística e financeira dos EUA, cujas extensões alcançam uma política reativa a “descriminalização” das chamadas “drogas ilícitas”; o mesmo acontecendo no México; ou ainda os EUA, com a ascensão dos chamados “Neocons” nas primeiras décadas do século XXI, no contexto da “Guerra ao Terror” do pós-11 de Setembro, que hoje se refletem em políticas de criminalização da imigração, encabeçadas por Donald Trump tanto em sua campanha presidencial quanto em sua atual gestão; ou mesmo no Brasil que, em 2016, viu-se construir um processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, com bases em um discurso rarefeito de “combate a corrupção”, que empoderaram uma série de micro-organizações políticas e think tanks que se mobilizam através de agendas conservadoras e da retomada de um discurso anacrônico de “combate-ao-comunismo”, que data de uma releitura da polarização da Guerra Fria, para brecar políticas afirmativas (tais quais leis anti-aborto, anti-discriminalização de drogas, anti-cotas raciais, etc).

Deste modo, temos o prazer de propor o “Dossiê: Direitas no novo fin-de-siècle: as Américas na segunda metade do século XX e abertura do século XXI” com o intuito de convocar pesquisas que de algum modo contemplem o tema das direitas na América e outros continentes. Os descritores abaixo servem como norteadores gerais. Estamos abertos para discutir outros temas que tenham algum vínculo com a temática proposta.

 

 

 

Descriptores

1. Os recentes golpes de Estado na América Latina (Honduras, Paraguai, Brasil): executados pelas oligarquias e a serviço do neoliberalismo;

2. Os regimes militares na América Latina e o papel dos EUA, nos anos 1960 a 1980;

3. As oligarquias do continente e a repressão aos movimentos populares;

4. Organizações religiosas conservadoras: católicos e protestantes;

5. Anticomunismo e Guerra Fria;

6. As direitas após o fim da Guerra Fria no continente;

7. A ascensão dos neocons nos EUA, o 11 de Setembro e além;

8. O papel dos think tanks na promoção de agendas conservadoras na segunda metade do século XX e primeiras décadas do século XXI.

 

 

 

Perguntas

1. Quais as relações que as ditaduras militares da região tiveram com o “Líder do Mundo Livre”, os EUA?

2. Como foi o processo de controle policial e difusão dos serviços secretos nos diversos países do continente, tal como a Operação Condor?

3. Qual a atuação das multinacionais no continente e sua influência nas políticas locais durante os anos da Guerra Fria e qual seu papel na formatação política global do século XXI? Como se organizou e se organiza politicamente o empresariado local no mesmo período?

4. Qual o papel das lideranças carismáticas e suas ambiguidades com a direita: Getúlio Vargas, Juan Domingo Perón, José Maria Velasco Ibarra, etc?

5. Qual o impacto do Consenso de Washington sobre o continente? Como se deram os avanços e recuos do neoliberalismo no continente?

6. O antichavismo foi/é um fator permanente de convergência das direitas latino-americanas?

7. Qual tem sido o papel político da imprensa no continente?

8. Há conexões entre a crise econômica de 2008 e o atual avanço da direita no continente?

9. Estados Unidos: Qual o impacto da ascensão de Obama junto à direita em geral e a movimentos racistas e xenofóbicos em particular? Quais as relações de Donald Trump com a extrema direita estadunidense? Quais as relações da direita canadense com a direita de outros países?

 

 

 

Sobre os editores temáticos

Renato Alencar Dotta: Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo - USP (bolsista FAPESP), Mestre em História Social (bolsista CNPq), bacharel e licenciado em História pela USP. Trabalhou como historiador no museu municipal da cidade de Mauá (SP). Com vários anos de experiência no ensino superior, nas áreas de História Contemporânea, Educação e Turismo; foi também docente no ensino fundamental, médio e técnico. Temas com que trabalha: História Política (autoritarismo, integralismo, movimentos fascistas, Era Vargas), História Regional (São Paulo e região metropolitana), Museus e Patrimônio Cultural. É pesquisador associado do Grupo de Estudos do Integralismo e Outros Movimentos Nacionalistas (CNPq), na Universidade Federal Fluminense (GEINT-UFF), do Laboratório de Estudos e Pesquisas da Contemporaneidade, na Universidade Federal do ABC (LEPCON-UFABC), bem como é membro-fundador do GT História, Direita e Autoritarismo (ANPUH). Organizou dois livros sobre a direita no Brasil e, nesse momento (2018), organiza um terceiro. Foi membro nos conselhos de patrimônio de Mauá e São Bernardo do Campo. Link para o CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4706042U1

Felipe Azevedo Cazetta: É professor da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) nas áreas de História Moderna e Contemporânea. Possui graduação em Historia pela UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA (2009), mestrado em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2011) e doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2016). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea, atuando principalmente nos seguintes temas: integralismo, integralismo lusitano, Ação Integralista Brasileira, autoritarismo e teoria. Link CV: https://www.escavador.com/sobre/5708683/felipe-azevedo-cazetta

Maria Aparecida de Aquino: Possui graduação em História pela Universidade de São Paulo (1974), graduação em Educação Artística - Faculdades Integradas Alcântara Machado (1975), mestrado em História Social pela FFLCH/USP (1990) e doutorado em História Social pela FFLCH/USP (1994). Atualmente é professora titular aposentada da Universidade de São Paulo e colaboradora do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade de São Paulo. Foi coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Educação Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi também docente do curso de História das Faculdades Integradas de Guarulhos (FIG) e do Curso de Relações Internacionais da Universidade de Sorocaba (UNISO). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea, História do Brasil República, atuando principalmente nos seguintes temas: Imprensa brasileira, regime militar, censura, crise política no Brasil, política na América Latina. Link CV: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4760581P0

 

 

 

 

Endereço para envio de propostas

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Datas importantes

Data limite para envio de artigos: 5 de outubro de 2018

Data de publicação deste edição: 1 de janeiro de 2019.

 

Portal web da revista

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