O Discurso de Ódio: análise comparada das linguagens dos extremismos

Francisco Carlos Teixeira Da Silva

Doutor com Pós-Doutorado na Universidade Livre de Berlim, na Università di Áquila, na Universidade Técnica de Berlim e na Universidade de São Paulo Historiador, possui formação em Psicanálise e Educação Professor Titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Rio de Janeiro, Brasil, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Brasil



Resumo

O artigo trata da formação de uma linguagem fascista, ultradireitista ou nacional-populista, como um procedimento prévio fundamental para o estabelecimento das formas fascistas/ultradireitistas de dominação tanto nos casos dos fascismos históricos - aqueles que existiram entre os anos de 1920 e 1945 - quanto nos processos de ressurgência no tempo presente dos fascismos. Ao contrário dos reducionismos de tipo economicistas consideramos a linguagem como um fenômeno fundamental no processo de construção da dominação fascista, longe de se constituir em mera "cortina de fumaça". A linguagem fascista articula uma série de sintagmas e vocábulos que, por repetição e saturação, normalização o improvável, o inumano, o ilógico e o irracional, rebaixando o nível do debate politico e constit uindo-se em indispensável elo de união entre os indivíduos em processo de fascistização.

Received: 2018 December 22; Accepted: 2019 January 9

5519. 2019 ; 7(13)

Copyright

El Copyright solo reconoce autoría de los trabajos aquí presente, pero los derechos de publicación son titulares de Revista nuestrAmérica.

Keywords: Palavras-chave Discurso, ódio, linguagens, extremismos.
Keywords: Palabras clave Discurso, odio, lenguajes, extremismos.
Keywords: Keywords Hate, Speech, Extremism, Languages.

Alberto Burgio, um antropólogo italiano, ao estudar o fascismo, numa chave explicativa anti-historicista, buscou entender o fenômeno através do que denominou de “continuum discorsivo”, ou seja, a existência de uma linguagem comum do fascismo capaz de articular, via um brutal reducionismo, cultura, sistemas de relações sociais, formas de vida e comportamentos num só sintagma, normalmente de forma pejorativa e negativizado (Burgio 1999, 22).

Toda a complexidade do cotidiano, e suas diversas camadas, eram, para o fascista, reduzidas a um punhado de sintagmas que remetiam a um mesmo campo marcado por motivos disfórico e distópicos, montados sobre medos persecutórios e ansiedades profundas, sempre apontando para culpados palpáveis e claramente identificáveis como inimigos, ora da pátria, da raça ou do povo – todos definidos de forma excludente, mítica ou acientifica.

Victor Klemperer (1881-1960), um filólogo que viveu sob o Terceiro Reich pode perceber e analisar, “desde dentro”, a torção e o torturamento da língua alemã como um fenômeno próprio da construção do nazismo e da sua normalização. O uso do idioma, através da construção de um verdadeiro socioleto, por vezes um “idioleto”, próprio e empobrecido extensivo a um grupo político e social, repleto de chavões e lugares comuns, além de metáforas, metonímias e paráfrases capazes de ocultar e evitar o debate e a contradição de ideias e opiniões e, ao mesmo tempo, apaziguar a ansiedade coletiva dando ao individuo alcançado pelo mal-estar a sensação de estar de posse de uma chave universal de interpretação do mundo.

Coube a Jean Pierre Faye, na sua obra “Langages Totalitaire”, como veremos, a construção do modus operandi pelo qual a linguagem assume, por esta via de redução da ansiedade, o papel central de construção inicial do fascismo, normalizando as ações extremistas e preparando, assim, o caminho para a ação política fascista (Faye 1972, 5).

Nesse sentido, a linguagem fascista, longe de ser uma “cortina de fumaça”, exerce um importante papel de normatização do anormal, do brutal, para tornar possível o mundo fascista.

A emergência nos nossos dias de uma poderosa “galáxia” de grupos, movimentos, partidos e regimes de extrema/ultradireita, alguns de caraterísticas nitidamente fascistas/fascistizante, trouxe para a cena política uma fala fortemente perturbadora, variando entre a proposição do inumano até o baixo calão, recusando o debate e destruindo o espaço publico enquanto a “ágora” para ação comunicativa.

Perante tal irrupção da barbárie, os indivíduos – em especial aqueles comprometidos com a cidadania e os Direitos Humanos – e as instituições do Estado de Direito, muitas vezes em nome de uma pretensa Tolerância, se encontram paralisados, sem saber o que representa a linguagem fascista no conjunto do fenômeno da fascistização da cena pública.

Qual o papel da linguagem na ação ultra-extreminsta/fascista? Essa é a questão colocada por pesquisadores como Burgio, Klemperer e Faye que nos ocuparemos em seguida, buscando desvelar o que esse “continuum” discursivo, que entendemos como uma relação histórica entre velhos e novos extremismos/fascismos promovem enquanto forma de mobilização e adesão de massa.

Alberto Burgio ao analisar a práxis discursiva fascista identifica um conjunto de sintagmas mobilizadores do “idioma fascista italiano” cujos principais eixos são: o anti-marxismo, o complô maçônico e/ou republicano e marxista, a inferioridade e sensualidade da mulher, o risco da homossexualidade, a barbárie e atraso regional (no caso italiano a atrasada região do Mezzogiorno), o racismo contra negros e eslavos (mais tarde contra judeus). Neste sentido, mudando alguns conteúdos históricos – e aqui vale a crítica anti-historicista de Burgio, que enxerga além das histórias nacionais – o continuum fascista se aplica de forma universal, como fenômeno, como no caso do nazismo, via a substituição de significantes no interior do discurso.

Da mesma forma, nos ultras-extremismos/fascismos contemporâneos a linguagem fascista mantém-se: possivelmente a islamofobia pode substituir a eslavofobia dos anos de 1920/1930, o judeu pode ser substituído por outro grupo étnico ou religioso, por exemplo, mas o núcleo de construção de negação da alteridade e exposição de um Outro conveniente como um inimigo adequado para o ódio comum, é sempre presente (Gay1999,16 e ss).

Em outros casos, como na questão da emancipação feminina, no temor permanente de uma abstração construída e chamada de “mulher”, um conceito unívoco que remete à luxúria, fraqueza, perdição, sensualidade, e a qual se contrapõe – nos anos de 1920 – uma cultura masculina de grandes exércitos e de camaradagem das trincheiras, emerge hoje o mesmo temor perante o feminismo e a emancipação feminina.

Assim, a “linguagem” fascista/ultra-extreminsta emerge – não se trata de um “neo” ou um “pós”, posto que ela sempre esteve presente, embora de forma larval – num ambiente de ansiedade como língua geral de um movimento calcado no recalque.

Seguiremos, agora exatamente nesta direção ao buscar nos diversos discursos, históricos e contemporâneos, dos extremismos uma tipológica que malgrado as oscilações – aquilo que Faye denomina de “Schwanken” (Faye 1972, 8) – a alternância – possível na diversidade das formas históricas do discurso fascista, representa uma constância, o continuum discursivo proposto por Burgio.

Entre as diversas constâncias da tipológica narrativa fascista está a ansiedade perante a “mulher”, compreendida sempre como essa unidade ameaçadora, jamais na sua pluralidade performática.

Assim, podemos ver no esquema baixo:

A “mulher” – categoria fixa e singular - surge nos diversos programas dos movimentos extremistas como um motivo disfórico [aquilo que expressa mal-estar, inquietação, insatisfação no seu atual estado] perante o seu contra-tipo por excelência, que no caso não é homem, e sim homem-macho, o motivo eufórico básico do discurso fascistizante normativo (De Grazia 2001). Da mesma forma, na maioria dos programas políticos a referência é sempre a uma abstrata condição “da mulher”, tomada como uma condição única e comum, não percebendo, ou aceitando ou mesmo compreendendo a multiplicidade contida na categoria mulheres – da mesma forma como as demais categorias que envolvem sexo/gênero (Butler 2003).

Na novilingua do fascismo e do Nacional-Socialismo é claro o papel da mulher como “mãe” e “esposa”, garantia da economia doméstica – e por sua vez da produção e, no caso do NS da própria reprodução da raça e base da Volksgemeischsaft – a comunidade de raça e sangue. Assim, os modernos movimentos de emancipação feminina das décadas de 1920 e 1930, de profissionalização e de atuação da mulher fora de casa, não eram bem vistos, já que a mulher o papel central era de garantia da raça. Neste, a mulher chega ao clímax enquanto máquina reprodutiva na experiência da SS no Projeto Lebensborn visando a produção massiva de uma Herrenrasse. O fascismo também identifica a mulher com a sensualidade, o descontrole sob os sentimentos, e com isso a fraqueza inata e uma imaturidade que vai necessitar permanentemente da tutela masculina para corrigir seus impulsos e sua incapacidade para os grandes gestos. Os inimigos atávicos – o judeu, o eslavo e o negro – serão ditos com almas “femininas”, inclinados à luxúria e aos impulsos momentâneos, incapazes dos grandes sentimentos, tal como as mulheres. Em suma, a mulher, frente ao homem – o guerreiro fascista – é a expressão da natureza fraca, frágil e que precisa de proteção (Burgio1999,19 e ss).

A mulher, que havia conquistado um papel de importante na República de Weimar (1919-1930), passa no Nacional-Socialismo, por um amplo processo de regressão política, praticamente desaparecendo da representação política, representando uma re-masculinização da política alemã. Para Hitler a mulher deveria estar restrita às funções “biológicas”, como afirmaria em um discurso em Munique, em 1936: " O mundo das mulheres [é] a família, seu marido, seus filhos, sua casa" (Steinbacher 2007). Posição que era acompanhada como postura oficial pelo movimento nazista. O “Völkische Beobachter”, popular jornal nazista, de 12 de junho de 1934, comentava que “...o objetivo é... a mãe deve ser capaz de se dedicar todos os seus filhos e família, a esposa ao homem e a moça solteira deve depender somente das profissões, que correspondem à natureza feminina. Para o resto, toda ocupação deveria ser deixada para o homem. " (artigo de Rudolf Frick, em “Völkische Beobachter”, 12 de junho de 1934).

A questão dos empregos era central na Alemanha nazista. O NSDAP considerava uma concorrência desigual e injusta que mulheres disputassem com homens, ainda mais casados ou em busca de família, empregos e cargos. Assim, os cargos, empregos e a formação superior deveriam ser reservados para os homens e as mulheres não deveriam concorrer ou candidatar-se para tais funções. As mulheres, no Nacional-socialismo, deveriam ser a garantia de passagem para o futuro das qualidades da “raça superior”, daí a sua importância como mães e esposas, sua permanência no lar, seu papel como “fonte da vida’, e não concorrer com os homens. A noção, tão em voga nos tempos weimarianos, de emancipação feminina – com a elevada participação da mulher na vida do SPD e do KPD – era parte de uma “conspiração mundial judaica”, ou no dizer de Hitler, no Congresso de Nuremberg: "... A palavra emancipação das mulheres é uma palavra inventada apenas pelo intelecto judeu. Não achamos certo que a mulher entre no mundo dos homens, mas achamos natural que esses dois mundos sejam divorciados” (Koonz 1991, 22). A discussão sobre gênero deveria ser evitada como uma forma de destruição da “ordem biológica pré-determinada” e assim destruir a raça superior – ou seja, o argumento sobre uma pretensa “ideologia de gênero” é antigo e possui uma clara matriz fascista.

A partir de 1933 as mulheres foram obrigadas a abandonar os empregos melhores remunerados em favor dos homens e em 1938 foi imposto um regulamento que impunha o abandono do serviço público para todas as mulheres após o casamento sob a alegação que as mulheres “roubavam o pão dos homens de família” (Ídem).

O aborto foi também proibido e penas pesadas foram estabelecidas – exceto para as mulheres doentes ou de “raças inferiores” (conforme: Das Gesetz zur Verhütung erbkranken Nachwuchses (GzVeN) vom 14. Juli 1933 (RGBl. I S. 529) war ein deutsches Sterilisationsgesetz), ao mesmo tempo em que era criado o Projeto Lebensborn para incentivar a geração de crianças de “raça superior” (Benzenhöfer 2006). Foi criada, ainda, uma premiação de honra, a “Mutterkreuz” – A Cruz Materna -, para as mulheres que tivessem mais de quatro filhos, com as categorias de bronze – para quatro, prata para seis e ouro para acima de oito filhos. O crescimento da “raça superior”, e sua correta criação, era o grande destino da mulher alemã.

[Lebensborn – em alemão arcaico “a fonte da vida” - programa idealizado pelo líder nazista Heinrich Himmler, em 1935, visando o aprimoramento da “raça ariana” e o fim da “epidemia de abortos” que havia na Alemanha (cálculo de 600 mil por ano), com casas de reprodução para jovens de comprovada ascendência ariana. Deveria fornecer futuras tropas e camponeses para o Grande Reich alemão. Fonte Koop, Volker. Dem Führer ein Kind schenken: die SS-Organisation "Lebensborn". Editora Böhlau, Colônia, 2007].

Na novilingua contemporânea, hoje, por sua vez, trata-se de um retorno a um passado idealizado – sempre encontramos esse tema de uma fetichização do passado como um lugar ideal, melhor do que o presente e projeto para o futuro – em que a mulher deve abandonar a carreira, a formação e a sua realização [para isso a caracterização repetitiva da inferioridade do trabalho feminino, insistentemente afirmado pelos representantes, por exemplo, do Partido Social Liberal (PSL)[2] como sendo o trabalho feminino menos “produtivo”, ou devendo no máximo ser restrito às carreiras ditas femininas, quase sempre associado a gravidez, a menstruação e a força física] e da imperiosidade da mulher retornar ao “lar”. A própria junção das correntes fascistizante no interior do PSL, por exemplo, com os grupos ultra fundamentalistas/messiânicos apontam para essa “vocação” da mulher para o “lar” – expresso no caráter inato e biológico do gênero, incluindo o código de cores e brinquedos das crianças desde tenra idade -, assumindo uma posição combatente ao feminismo e à emancipação feminina, daí o ódio votado ao que denunciam como “ideologia de gênero” e qualquer forma de Educação Sexual, dita como “erotização precoce das crianças”[3].

Toda a discussão da Psicanálise, desde os debates iniciais de 1905, de Sigmund Freud, sobre a sexualidade infantil, são rejeitados como parte do complô mundial organizado pelo “marxismo cultural” visando a destruição da família – lembremos, em mais um paralelo, que o nazismo denominava a Psicanálise de “pseudo ciência judaica” – e como parte da corrupção das crianças, tal como o “kit gay”, a mamadeira peniana e as politicas de defesa da comunidade LGBT+[4]. As instituições de estudo e atendimento psicanalítico, como o Instituo Karl Abraham e a instituição de Magnus Hirschfeld – este dedicado à promoção de gays e trans -, ambas em Berlim, foram fechadas e seus arquivos e bibliotecas saqueados pelos nazistas.

O Vox espanhol[5], por exemplo, escreveu em seu programa uma forte campanha contra o feminismo, inclusive contra a “Lei de Violência de Gênero”, num país em os crimes de feminicídio são – para o padrão europeu – bastante elevados[6]. Na campanha eleitoral de 2018, na Andaluzia, o Vox insistiu que a maioria das denúncias das mulheres contra homens, em casos de estupro, acabavam por não se confirmar nas investigações policiais. Mas, os homens já estariam, então, expostos, a maioria sob prisão preventiva e com altos gastos advocatícios. Tal propaganda teve forte impacto na campanha, inclusive entre mulheres religiosas e segmentos conservadores. Entretanto, a “Fiscalia General del Estado de España” revela que, entre 2009 e 2016, somente 00.1% das denúncias de violência masculina contra mulheres eram falsas comunicações de crime. No entanto o Vox continuou afirmando que o homem, branco e hetero, são vítimas da “Ley de Violencia de Género”, que por isso luta pela extinção da legislação protetora das mulheres e a “ditadura da ideologia de gênero”[7].

A mulher, seus direitos e sua emancipação é, para o Vox, uma ameaça á tradição. O homem construído pelo imaginário do militante do Vox, que se vê deslocado de uma situação de força e domínio no âmbito de uma sociedade tradicional em que se move rapidamente estaria sendo vitimado por excesso de legislação dando direitos absurdos às mulheres. É a mudança de padrões que assusta e torna o indivíduo branco e hetero impotentes perante a velocidade das transformações, deslocando o medo na direção da mulher, a forma – Gestalt – mais visível e próxima das mudanças na sociedade atual.

A relevância de destacarmos a construção da mulher pela Direita extremista – e seu campo de luta, ou seja, a questão do aborto/a legislação sobre estupro/ a “ideologia” de gênero/ o feminicídio/o politicamente correto/os direitos trabalhistas/ a brecha salarial/ a igualdade de representação/a igualdade de cargos e outros temas - reside na existência hoje de uma “questão da mulher” para as Direitas. Trata-se, nesta topológica, de uma ameaça básica (ao lado da escola) na reprodução da forma conservadora e tradicional de sociedade, que consideram sitiada no topo da colina.

Nesse caso do homem surge como caracterização positivada:

<alternatives>
No Nacional-Socialismo No Fascismo No PSL
Ariano Racialmente puro Trabalhador
Patriota patriota patriota
Guerreiro Marcial Batalhador
Nórdico Estético Branco
Belo Duro Hetero
Forte Forte Companheiro
Sincero Cruel Militarizado
Duro Justo Duro
Leal Companheiro Companheiro
</alternatives>

E nesse momento esse homem/macho/branco é vítima de:

  • Emancipação femininaIdeologia gaysistaIdeologia de gêneroPoliticamente corretoInvasão dos homens de cor/regionais/classes subalternasDeslocamento dos espaços tradicionais/cotas raciais/sociaisIgualitarismo/comunismo/bolivarianismo/multiculturalismo.

Para o PSL a emancipação feminina, como todo o movimento feminista, confunde-se com a atuação dos professores numa grande galáxia do “marxismo cultural”, para criar as condições de impor uma visão de mundo “esquerdista”, “comunista” e de dominação feminina e “gaysista” e assim abalar os alicerces da sociedade tradicional, cristã e “heteronormal”. Os políticos do partido utilizam as redes sociais para ameaçar os professores, criando um clima persecutório, para definir, sem quaisquer direitos de fazê-lo, a atuação dos professores e a composição dos curricula do ensino básico – a ameaça implica a erradicação de qualquer debate sobre gênero, tecnologias e performances de identidade em favor de uma definição unívoca e biológica de gênero adequada à códigos culturais tradicionais, incluindo a escolha de cores por sexo[8].

Todos esses elementos possuem uma síntese disfórmica altamente ameaçadora na chamada ideologia de gênero – em especial quando prevista como disciplina escolar e apresentada como parte dos Direitos Humanos. Ao voltar-se para as crianças, em especial para os meninos e colocar em debate as relações entre sexo – biológico – e gênero – como performance – retira ao arsenal fascista um elemento central da fundamentação da superioridade da heteronormatividade e, por conseguinte, da liderança social do patriarca travestido de mito condutor – Duce, Führer, Conductor.... O deslocamento do princípio de morte, explicitado na coreografia corporal e gestuário deslizante em direção a arma fálica se esvaziaria de sentido e o líder perderia a aderência derivada da transferência neurótica das massas caso a superioridade masculina fosse deslocada do seu pedestal. Assim, é necessário manter a massa sob constante tensão sexual, ameaçada de castração, seja pelo “kit gay”, seja pela promessa de uma mamadeira peniana, como a parte visível e capaz de leitura (para o letramento pobre da massa fascistizada) da chamada “ideologia de gênero”. Assim, como no caso do Der Stürmer, o conteúdo sexual da ameaça política é fundamental para manter a massa coesa e neuroticamente vinculada ao líder. Aqui a ansiedade neurótica funciona por transferência/projeção: o líder ritualmente mostra sua “arma”, por linguagem corporal mimética, aos seguidores, prometendo com ela abater o inimigo com o intuito de acalmá-los, mantê-los coesos e mobilizados, ao mesmo tempo que renova o chamamento à violência simbólica e real. É esse discurso de ódio que permite uma língua comum aos extremismos.

A arma do mito é a garantia de segurança ante o medo neurótico da castração

Para garantir a eficácia da novilingua é necessário, no entanto, criar o contrário do querer, posto que o fascista constrói uma agenda negativa. O contra-tipo disfórico por excelência é um Outro absoluto. No Nacional-socialismo é o Judeu:

  • Racialmente impuroFeioCalculistaSexualmente luxuriosoCosmopolitaAteu

[Der Stürmer – O Atacante! – jornal semanário nazista criado e dirigido por Julius Streicher desde 1923 com circulação até 1945. Atingiu o seu máximo de tiragem em 1938 com 480 mil exemplares sendo parte fundamental da máquina de propaganda nazista, em especial na sua obsessão antissemita. Caracterizou-se pelo uso da caricatura como meio de propagação do ódio racial e da propagação do antissemitismo através da construção de um imaginário baseado no falseamento de crimes sexuais envolvendo judeus e “arianos”. Ver: Ralph Keysers: Der Stürmer. Instrument de l’idéologie nazie. Une analyse des caricatures d’intoxication. L’Harmattan. Paris 2012].

É importante destacar que a fixação sexual do Der Stürmer envolvia regularmente a narrativa de crimes sexuais de homens judeus contra jovens mulheres virginais “arianas”. Aqui fica evidente que a parte “fraca” - aquela que fraqueja perante a ameaça à raça -, pela qual o mal penetra, o sangue ruim contamina a raça superior, é a mulher, suscetível à sedução do judeu, sempre pronto a contaminar a raça superior. Esta mítica da contaminação da raça, via a mulher, é antiga e traz em si um medo atávico do homem branco sobre a extrema luxúria e fertilidade do homem asiático, oriental ou negro. No famoso livro Bram Stocker – transformado em filme exatamente na Alemanha por F.W. Murnau, em 1922, e refilmando centenas de vezes – o monstro fálico, o vampiro “Nosferatu”, que reside nos limites da civilização e “invade” o país civilizado, onde disputa as mulheres aos homens brancos [três tipos clássicos; um aristocrata, um comerciante e um desbravador yankee] é um “oriental”, sedutor, que inocula seu sangue na mulher e daí contamina a civilização[9]. Estes são atavismos da “fraqueza” da mulher, presente no fascismo italiano e que o nazismo manipula com destreza.

Nos extremismos contemporâneos será reeditada a imagem da inferioridade feminina via a construção da mulher “fraca”, improdutiva, “histérica”, que através da “ditadura do politicamente correto” e da manipulação da ideologia de gênero quer impor ao homem privilégios que não possuem quaisquer suportes na realidade. A fraqueza da mulher prejudica não so a família, como ainda as empresas e a sociedade, além de se negar ao seu papel fundamental que é ser mãe e dona de casa[10].

Os movimentos contemporâneos como #MeToo, #TimeUp ou #EleNão, que mobilizaram milhares de mulheres (e homens ) contra abusos acumulados de homens poderosos e ameaças de consolidação no poder de homens com plataformas politicas misóginas, falocrata e homofóbicas (Trump, Bolsonaro), criaram simultaneamente, uma mobilização global contra o machismo falocrata e, também, o seu contrário: uma reação brutal contra a desestruração de uma situação extremamente cômoda de subordinação das mulheres. No caso do Brasil, em face do movimento #EleNão, um político do PSL, publicamente, fez uma diferenciação entre as mulheres “direitas da Direita” e as “outras”: "As mulheres de direita são muito mais bonitas do que as de esquerda. Não mostram o peito na rua e não defecam para protestar", afirmou. "Ou seja, as mulheres de direita são muito mais higiênicas que as da esquerda”[11].

Trata-se, evidentemente, de construir uma imagem de rejeição e nojo, em relação às mulheres militantes e, assim, destacar e valorizar, deste ponto de vista, os agrupamentos de mulheres “de Direita”, provocando uma brecha no eleitorado feminino, que não quereria ser visto como “sujo” e anti-higiênico. Desde então, as mulheres “de Direita” passam a ter um argumento – o “nojo” contra as militantes feministas – para se distinguir. É importante destacar a construção do diferenciador entre as mulheres “direitas de Direita” e as “militantes” apresentado por um político homem, branco, e claramente misógino:

Trata-se de elemento de higiene íntima das mulheres. Não se discute as agendas políticas ou as propostas levantadas. O debate é colocado em termos de: são mais ou menos “limpas” ou “higiênicas” as mulheres militantes? Isso numa linguagem de soldadesca referindo-se, em outro tempo, às mulheres de bordel. Essa é a resposta quando as mulheres, reunidas e mobilizadas, dizem que não mais vão aceitar a discriminação, a agressão, a violência, a imposição do trabalho doméstico e nem tão pouco o “tapinha” no lugar de trabalho e a gracinha machista em troca de salário menor. Ameaçados no seu cômodo espaço de sempre o machismo responde com linguagem de bordel, o que busca desqualificar a mulher-militante, como ainda traz em si uma ameaça velada à mulher “direita de Direita” sobre o que pode suceder caso abandone a regra de ser “recatada e do lar”.

A “Lei Maria da Penha”, no Brasil, e a “Lei de Violência de Gênero”, na Espanha, são exatamente por isso, acusadas de “tirania de gênero” e de “ditadura do politicamente correto”, posto a questionar, e no limite criminalizar, o que o misógino e o falocrata considerava um direito seu. Da mesma forma, os direitos de proteção da comunidade LGBT+ são considerados “ideologia gaysista” pelo simples fato de considerar assédio moral, piadas, ofensas e discriminação, no trabalho, na escola e nos lugares públicos, e no limite proteger a vida daqueles que são mortos pela única razão de sua sexualidade.

A fixação na condição feminina, e na luta contra o feminismo, acaba por construir, campos de referência através de articulações e encadeamentos sintáxicos de motivos disfórico que remetem para as mulheres “direitas” e as “militantes”, que devem ser apontadas como fontes de desestruturação da boa sociedade:

<alternatives>
As mulheres
As Mulheres “direitas de Direita” As Mulheres “militantes”
Recatadas Atuam na rua
Bonitas Feias
Higiênicas Defecam na rua
Solidárias com os homens Competem com os Homens
Mães Lésbicas
Religiosas Ateias
</alternatives>

A diferenciação – disfóricas, negativizada, inferiorizada – entre as mulheres “de Direita” e “de Esquerda”, não só serve para espezinhar os movimentos como #EleNão, mas possuem uma função central de conter, sob uma forte censura social, aquelas que poderiam sentir-se tentadas a participar de alguma forma de mobilização, sob o risco de cair, perante o grupo ou comunidade, nos epítetos desclassificatórios apostos pela Direita.

A piada machista, misógina e falocrata, como também a homofobia, dita pelo homem branco, mesmo o pobre, é um ritual de autoafirmação, da mesma forma que a perseguição ao judeu pelo “ariano” pobre era uma afirmação de sua superioridade. A perseguição e discriminação de grupos minoritários é uma forma de falsa transcendência num regime de deslocamento neurótico[13].

No Fascismo italiano o Outro varia entre o homem negro das colônias africanas, que também ameaça a mulher, – como o contra-tipo por excelência, a “feiura” anti-apolínea em sua expressão básica, o portador da doença desconhecida, em especial da temida lepra – até o marxista e o anarquista ateu e regicida:

  • Contra-tipo no fascismo italiano:O anti-apolíneo expresso nos vestígios do “Império Romano”;O negro das colônias africanas;Os “briganti” do Mezzogiorno vistos como povo a ser conquistado;Os judeus depois de 1938;O marxismo internacionalOs inimigos do Império: anarquistas, marxistas, maçons, republicanos.Luxuria feminina.

Na versão contemporânea, no caso do “Vox”, na Espanha, que avança com uma ideologia anti-Globalista, anti-muçulmana, antifeminista e contrária aos migrantes:

- os migrantes africanos, negros e árabes, como concebido na propagando: “...recebem uma casa e um celular quando chegam na Espanha enquanto os espanhóis estão desempregados[14]” trata-se, evidentemente, de uma “fakenews”, mas que é repetida com ênfase nas redes sociais e teve grande efeito nas eleições regionais de 2018 contra os Socialistas.

Na Versão do PSL o inimigo é amplo e difuso: “...tudo isso aí!” Ou seja, o “...PT e seus anos de roubalheira” = marxismo cultural = bolivarianismo = globalismo: isso implica em uma resposta unívoca para todos os problemas e que substitui largamente os bordões do anticomunismo, ou o complementa, do tempo da Guerra Fria, muitas vezes com os mesmos termos, inclusive apontando para a ação da própria União Soviética ainda hoje! Nesse caso remete para um campo onde a agenda possui caráter regressivo, seja na escolha dos temas, seja nas demandas[15]:

  • corrupção,Cuba,marxismo cultural,anti-bolivarianismo,”asfarcs”,anticomunismo,anti-globalismodestruição da família,conversão a homossexualidade,a falsificação da história,anti-feminismo,anti-aborto,anti-feminismo,anti-união civil de gays,arte degenerada,mídia infiltrada,escola aparelhada.

Em seu conjunto, podemos vislumbrar nas experiencias comparadas a produção de uma novilingua – malgrado as flutuações típicas do experimento linguístico dos fascismos – calcada numa firme teoria conspiratória de forte componente paranoide (“estamos lutando contra o comunismo”; “o Brasil será libertado do Socialismo”). A novilingua apresenta palavras, ou mesmo sintagmas, que funcionam como códigos iniciatórios que os militantes podem reconhecer de imediato e assim se auto-identificar como iguais e membros do mesmo grupo identitário e pertencentes ao mesmo grupo político.

Se buscarmos nos movimentos/partidos/governos contemporâneos entre os quais circulam o continnum da novilingua, conforme o elenco acima, vamos ver que são comuns aos grupos:

Tea Party/EUA; Vox/Espanha; Fidesz/Hungria; M5S/Itália; AfD/Alemanha os seguintes elementos:

  • Mídia Infiltradaescola aparelhadadestruição da famíliaameaça muçulmanaanti-aborto;marxismo cultural;conspiração ecológica;anti-emancipação femininaanti-união civil de gaysanti-globalismo;islamofobia.

Nos propomos, assim, conforme Jean-Pierre Faye e Victor Klemperer, seguir o que dizem os homens, levando bastante a sério suas falas enquanto uma forma de ação, com atenção às figuras e aos sintagmas que desenham e constroem, sua circulação e posição em relação no tempo e no espaço em que ocupam em relação umas com as outras, compondo um campo comum pleno de significados, formando cadeias sintáxicas. Tal exercício nos permite entrar na própria economia dos enunciados e perceber as relações com os demais circuitos da sociabilidade existentes, explicitando uma semântica própria – a novilingua – que expressa a forma totalitária, fascista, que se impõe à sociedade (Faye 1972, 6).

Para Faye, e aqui seguimos seus passos, a novilingua, a “langage totalitaire”, se expressa por uma topografia de enunciados políticos que se proclamam não-ideológicos, de caráter oscilatório – o que garante sua fluidez, fugindo da fixidez – portanto variando de uma topografia a uma topologia de estruturas profundas, subjacentes, que embora comum ao conjunto “fascismo” possui no seu movimento oscilatório as diferenças históricas, as especificidades, de cada fenômeno fascista específico no tempo e no espaço. O fascismo é um idioma mas possui vários dialetos. Como todo idioma é uma forma viva, em constante mudança e transformação, absorvendo contribuições, se modernizando e assumindo modismos e acentos diferenciados.

Assim, essa “linguagem”, por seu caráter profundo, revela/oculta um inconsciente, é em si mesma uma psicologia social e, portanto, um espaço de luta, de disputa e debate, que não pode ser abandonado como supérfluo ou “delírio enlouquecido” do fascista.

Os termos da “linguagem totalitária”, a novilingua, compõem-se de daqueles “lugares”, os topoi, e sintagmas, já acima descritos: o medo à emancipação feminina; o horror ao amor LGBT+; as construções alucinantes como a mamadeira peniana; as ideias conspirativas como o complô do marxismo cultural, do globalismo e do ecologismo conspirativo, etc...todos voltados pretensamente para a destruição do “reino do homem comum”, o hetero branco conservador e a decisão da defesa violenta de uma utopia regressiva.

A questão que se coloca, após da/a descrição da sintaxe política do novilingua, é: como se constrói a credibilidade dessa “linguagem” formada de retalhos de ideologia dizendo-se como não-ideologia? Encontramo-nos, então, no campo da aceitabilidade – die Annahme – da língua política como criada pelo fascismo (Faye 1972, 7).

Essa é a questão central e trata da aceitabilidade, a normalização do que até então – pouco antes – era um escândalo, era o inadmissível. Do assassinato de Matteotti, passando pela Cristalnacht até o Caso Marielle, trata-se “normalizar o inadmissível”, tornar cotidiano o inumano. Ou seja, a língua é ação política radical.

Muito mais profundo do que bandeiras, uniformes e estandartes é na linguagem e na sua estrutura que se expressa o fascismo.


Notas
[1].

fn1 Quem ousa dizer: nunca?/A quem se deve a duração da tirania? A nós./A quem sua derrubada? Também a nós./Quem será esmagado, que se levante!Quem está perdido, que lute! Quem se apercebeu de sua situação, como poderá ser detido? Os vencidos de hoje serão os vencedores de amanhã. De nunca sairá: ainda hoje. Bertolt Brecht, em “O duplo compromisso de Bertolt Brecht” [tradução Haroldo de Campos]. in: CAMPOS, Haroldo de. O arco-íris branco. Rio de Janeiro. Imago, 1997.

[3].

fn2 Programa do PSL. “O que Nós Acreditamos”. In: https://www.pslnacional.org.br/pagina/em-que-acreditamos. Consultado em 14/12/2018.

[4].

fn3 Ver Freud, Sigmund. Um caso de histeria, Três ensaios sobre sexualidade e outros Trabalhos. 1901-1905. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud Volume VII. Rio de Janeiro, Imago Editora. 2006.

[5].

fn4 O “VOX” é um partido espanhol fundado em 2013, a partir de uma cisão do Partido Popular, de tendência de extrema-direita. O VOX tem sido o principal representante de um discurso radical de recusa da imigração, do multilateralismo, das instituições europeias, e de defesa do nacionalismo centralista contra o crescente apelo ao separatismo Catalão.

[6] Ley Orgânica 1/2004, de 28 de dezembro de 2004, de “Medidas de Protección Integral contra la Violencia de Género” — abreviada como “LIVG o VioGen”— é uma Lei do ordenamiento jurídico espanhol com caráter de lei orgânica, proposta pelo Governo Socialista de José Luis Zapatero, aprovada por unanimidade no Parlamento, e introduzida no marco europeu do Convenio de Istambul, de 2014, de Proteção contra a Violência Misoginia.

[7].

fn5 El País. La nueva extrema derecha irrumpe en escena, 04/10/2018. In: https://elpais.com/politica/2018/10/03/actualidad/1538585644_517997.html. Consultado em 14/12/2018. Ver ainda: El País. El desafío de Vox sobre violencia machista tensa la cuerda con Cs y PP, 02/01/2019.. In: https://elpais.com/politica/2019/01/02/actualidad/1546431288_169435.html. Consultado em 02/01/2019.

[8].

fn6 Folha de São Paulo. Filho de Bolsonaro orienta professores a evitarem temas como feminismo, 05/01/2019. https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2019/01/filho-de-bolsonaro-orienta-professores-a-evitarem-temas-como-feminismo.shtml. Consultado em 05/01/2019. Ver para o debate: Butler, Judith. Cuerpos que importan. Sobre los limites materiales y discursivos del “sexo”. Buenos Aires, Paidós, 2008.

[9].

fn7 Warwick, Alexandra. “Vampire and Empire: fears and fictions of the 1890s” In: Ledger, Sally ( Ed.). Cultural Politics at the Fin de Siècle. Cambrigde, University Press, 1995, pp. 202-220.

[10].

fn8 GloboNews. “Não tem como mudar, diz Bolsonaro sobre salário menor para mulher”, 04/08/2018. In: https://catracalivre.com.br/cidadania/nao-tem-como-mudar-diz-bolsonaro-sobre-salario-menor-para-mulheres/. Consultado em 14/12/2018. Ver ainda: Folha de São Paulo. “Ninguém faz limpeza melhor que mulher”, diz deputado relator da terceirização, 23/03/2017. In: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/03/1869091-ninguem-faz-limpeza-melhor-que-a-mulher-diz-relator-da-terceirizacao.shtml. Consultado em 14/12/2018.

[11].

fn9 Valor. “Mulher de Direita é mais bonita e higiênica, diz Eduardo Bolsonaro”, 30/09/2018. In: https://www.valor.com.br/politica/5894411/mulher-de-direita-e-mais-bonita-e-higienica-diz-eduardo-bolsonaro. Consultado em 14/12/2018.

[12].

fn10 O caso do assassinato da vereadora pelo PSOL, Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, ocorreu na noite do dia 14 de março de 2018, na cidade do Rio de Janeiro. Marielle era militante LGBT e responsável por programas sociais em áreas pobres da cidade, como programas de apoia a mulheres e gays. O assassinato ainda não foi esclarecido pelas autoridades brasileiras.

[13].

fn11 Ver sobre isso: Brum, Eliane. “O Homem mediano assume o Poder”. In: El País. 03/01/2019. https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/02/opinion/1546450311_448043.html, consultado em 03/01/2018.

[14].

fn12 EL PAÍS. Por qué Vox es un partido de ultraderecha? 04/12/2018. In: https://elpais.com/elpais/2018/12/03/opinion/1543827038_058171.html, consultado em 14/12/2018.

[15].

fn13 PSL: “Em Que Acreditamos”. https://www.pslnacional.org.br/pagina/em-que-acreditamos. Consultado em 14/12/2018.

Referencias
1.
2.
3.
4.
5.

Enlaces refback

  • No hay ningún enlace refback.


Licencia de Creative Commons
Este obra está bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-CompartirIgual 4.0 Internacional.

Revista nuestrAmérica, ISSN 0719-3092, es una publicación seriada de investigaciones científicas y académicas con especial interés en el pensamiento crítico y descolonial. La edición es realizada por Ediciones nuestrAmérica desde Abajo Ltda, antes llamado Corriente nuestrAmérica desde Abajo en la ciudad de Concepción, Chile. Esta publicación es coordinada por su directorio desde Argentina, Chile, Brasil y México. Revista nuestrAmérica no aplica ningún tipo de cobro por procesamiento de contenidos y adhiere a las políticas de acceso abierto. Esta revista adhiere a las políticas mínimas comunes del primer acuerdo de Deycrit-Sur. Todo lo aquí publicado se realiza exclusivamente bajo una licencia de Creative Commons Reconocimiento-NoComercial-CompartirIgual 4.0 Internacional.

Para más informaciones comuníquese a través del correo contacto@revistanuestramerica.cl